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A Mídia Gay


Ave, Contardo!

Contardo Calligaris, colunista da folha, escreveu um texto ótimo sobre o estúpido projeto de lei que quer criar um Programa de auxílio às pessoas que voluntariamente (?) optarem pela mudança de sua orientação sexual de homo para heterossexual. Para acessar o link é preciso ser assinante da folha ou do uol, caso alguém tenha interesse em ler o texto e não tenha acesso, basta enviar um e-mail para oinaudito@yahoo.com.br que eu envio. Leia o texto: A Cura da Homossexualidade



Escrito por Binho às 11h37
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Um amigo conseguiu um emprego após meses de tentativas frustradas. Ficou muito feliz e foi em busca de todos os documentos necessários solicitados pela empresa. Um desses documentos era o Atestado de Antecedentes Criminais - o quê? Muitos devem estar se perguntando, mas é isso mesmo, algumas empresas possuem essa exigência. Chegou no local indicado, pegou a senha, sentou em um dos bancos repletos de cidadãos apáticos e com uma expressão de cansaço, tirou um livro da bolsa e o leu enquanto aguardava sua vez. Após uma hora de espera largou o livro e pensou no atestado exigido no novo emprego. Mesmo sem nunca ter sido fichado na polícia ficou com receio do que poderia encontrar pela frente, já havia sido parado algumas vezes, será que esse tipo de coisa não poderia causar problemas no futuro? Riu da bobagem que estava pensando e percebeu que tinha chegado sua vez. Apresentou-se no guichê que o chamava através de sua senha e entregou a papelada para a atenciosa mulher à sua frente. Informou seu endereço atual, telefone e aguardou. Depois de alguns minutos percebeu que a mulher do guichê fez uma expressão de espanto e pôde notar que seu olhar se dirigia ao atestado. Ela virou-se, pediu a assinatura de alguém que meu amigo não conseguiu ver e entregou o atestado. Meu amigo olhou o atestado e congelou. Não conseguia raciocinar, sentia frio e o suor corria-lhe pelo pescoço. Respirou fundo e caminhou em direção a saída. Ao ar livre parou e encostou em uma mureta, respirou fundo algumas vezes e olhou novamente o atestado. Em letras maiores do que qualquer outra impressa no atestado estava escrito a confirmação de seu delito: HOMOSSEXUAL. Ainda sem acreditar no que estava em suas mãos, pensou em como poderia entregar aquele documento no novo emprego sem ser dispensado. Decidiu que não iria retornar à empresa, rasgou o atestado em muitos pedaços e jogou-o na privada do banheiro de um boteco.

Esta história obviamente não é verdadeira, senti vontade de escrevê-la porque pensei no que se passa na mente dos homossexuais quando recebem uma proposta de emprego. É engraçado pensar nisso porque, para mim, ser homo ou hétero não deveria constar no "currículo" de ninguém. Mas todos sabemos que é algo que pesa quando o assunto é trabalho. E como ninguém informa a orientação sexual no currículo, os problemas, para os homossexuais, aparecem a partir do ingresso na empresa. É quando percebemos se poderemos ser nós mesmos desde o início ou não. Digo desde o início porque acredito que existem muitas pessoas que, como eu, por serem mais introvertidas esperam até conhecer melhor o ambiente novo em que está pisando para depois agir naturalmente nele. Não é covardia ou medo, é estar preparado para a reação das pessoas independente de qual seja. Para os ativistas de plantão ouvir a palavra "omitir" quando o assunto é a sexualidade parece ser um pecado mortal. Ninguém parece pensar no fato de que conseguir um emprego neste país é uma tarefa árdua e é difícil ser você mesmo em um ambiente de trabalho, correndo o risco de ser mandado embora e sem dinheiro para pagar as contas.                     

O grande problema em omitir a homossexualidade no trabalho é ter que conviver com as eternas piadas escrotas e ter que mascarar fatos da sua vida fora da empresa. Isso eu me recuso a fazer, não participo das piadas e se alguém me questionar sobre onde fui no fim de semana terá a resposta verdadeira. O ambiente de trabalho já é maçante e enfadonho demais para que tenhamos que suportar o preconceito dos colegas.



Escrito por Binho às 12h35
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Fotos da Parada GLBT de São Paulo

Pessoal, criei um fotoblog para colocar as fotos da parada. Todas as fotos foram tiradas pelo meu amigo Bruno e além de poder conferir o talento do rapaz nessas fotos vocês podem também acessar o álbum de fotos dele clicando aqui.

Link do fotoblog: Fotos da Parada 2004



Escrito por Binho às 15h28
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Parada Gay SP

Em um dos primeiros textos que escrevi neste blog, disse que não concordava com a parada gay, mas não falei por quê. Também mencionei que nunca tinha ido à parada. Bom, no último domingo participei da 8ª Parada Gay de São Paulo e tenho que confessar que gostei do que vi.

O que me desagradava antes era imaginar que a parada não ajudava em nada a mudar a imagem que a sociedade tem dos gays e que era apenas um desfile de pessoas querendo aparecer.

Ainda acho que a parada não possui um papel muito importante quando o que se quer é derrubar preconceitos, o que mudou foi constatar que a grande maioria das pessoas com as quais cruzei (gays ou não) parecia estar ali somente para demonstrar seu apoio aos gays e afins. Não estou sendo ingênuo, é claro que havia milhares de pessoas com propósitos diferentes.

Talvez tenha sido o frio o responsável pelo clima de fraternidade que parecia existir. Confusões existiram, mas devido à grande quantidade de pessoas (deixaremos os números pra lá) até que tudo estava bem calmo.

Mas vamos aos velhos problemas: a parada é quase que totalmente desprovida de causas sociais, a única intenção dos organizadores parece ser a de juntar milhões de pessoas para dançar e mostrar para a sociedade que somos muitos. Isso muita gente já sabe, mas e os nossos direitos? Será que a sociedade conseguirá assimilar a idéia de que estamos ali porque queremos igualdade se ficarmos todos dançando, pulando ou andando sem dizer nada? Meia dúzia de faixas nos primeiros carros e alguns discursos adiantam? Existem tantas maneiras de fazermos algo sem perder o clima de festa.

E o tema da parada "Temos Família e Orgulho"? Quem compareceu pôde conferir a quantidade de crianças e idosos presentes. Isso é magnífico, mostrar às crianças que somos iguais e aos idosos que podemos fazer parte do núcleo familiar. O único problema é que muitas pessoas e os donos dos carros de som não os respeitam. Aí surge o que um amigo chamou de "boate a céu aberto". Os carros de som cheios de go go boys - lá vem eles, mas alguém pagou para eles estarem ali, certo? - gays, travestis e afins seminus andando no meio de todo mundo e crianças vendo tudo aquilo com uma expressão de curiosidade e, às vezes, estranhamento. Será que essas pessoas pensam como isso é interpretado pelas crianças?

Não é caretice ou moralismo pensar nisso, basta pensar no ato e nas conseqüências. No caso dos idosos, acredito que ver travestis seminus ou go go boys tirando a sunga e rebolando não seja tão problemático, normalmente quando chega na terceira idade a maioria já viu muitas coisas parecidas. Mas se o tema da parada é família e orgulho onde esta mensagem aparece? Somente em um cartaz ou faixa? Por que quase não há contestação e por que as empresas que pregam seus logotipos nos carros de som estão ali somente para vender uma marca? Vender a marca é totalmente compreensível, mas será que a propaganda não poderia vir junto com ação social? Não seria legal se uma boate ou site fizesse algo pelos gays além de somente lucrar em cima deles? Poderia ser algo do tipo "olha, nós nos preocupamos com seu bem-estar e aproveitando não deixe de comparecer e trazer seus amigos à nossa boate e blá, blá, blá".

Vamos esperar que os organizadores vejam que o que realmente importa para os gays e afins é ter respeito da sociedade e sermos tratados com igualdade e não apenas carros de som enfeitados com balões e bandeiras do arco-íris.

O melhor de tudo isso é que apesar de todos os pesares, muitas pessoas sensatas conseguiram, de um modo que não consigo explicar bem, seja com uma atitude positiva ou um ato corajoso - levar os pais e avós, por exemplo - fazer da parada um evento que mais beneficia do que prejudica os homossexuais. Portanto, para mim, o sucesso da parada se deve às pessoas que compareceram anonimamente e transmitiram todo seu apoio a uma causa sem se importar com a politicagem grotesca - política risível e briga de vaidade - que envolve a parada.

PS: Fui à parada com o Bruno, meu amigo fotógrafo, ele tirou muitas fotos para eu publicar, mas estou com problemas técnicos e não consigo postá-las. Assim que eu conseguir, publico as fotos exclusivas.



Escrito por Binho às 22h32
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Pessoal, me desculpem a ausência. Participei da Parada Gay de São Paulo e escreverei algo a respeito nos próximos dias. Um abraço a todos.

Escrito por Binho às 00h02
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Renata, uma amiga que já deixou seu comentário aqui no blog não pode mais acessá-lo do trabalho porque a empresa em que trabalha, através do proxy, vetou o acesso a este blog por conter a palavra "gay". A Rê me ligou, não conseguiu falar comigo, mas deixou um recado para que eu enviasse meus textos por e-mail para ela porque assim poderia ler. Não vou discutir aqui sobre conduta no trabalho, o que me deixa perplexo é a atitude das empresas que controlam o acesso a conteúdo considerado impróprio e supõem que a palavra gay vem acompanhada de pornografia. Irei enviar os textos para a Rê ler no trabalho e onde ela quiser porque não vejo nada de pornográfico neles. E se pornografia é considerado algo indecente, mais indecente é a atitude dessas empresas.



Escrito por Binho às 09h10
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...and let me get your head
on the conjugal bed.
I say, I say, I say. (Smiths in Handsome Devil)

Já acreditei que meus ídolos fossem seres mitológicos, que possuíam o segredo de tudo e que soubessem o significado do que é invisível àqueles que não possuem a sensibilidade que figura a arte apresentada por eles. Hoje acredito que são pessoas especiais, alguns mais especiais que outros, mas deixei de acreditar que a sensibilidade inerente às suas obras faz parte de um tipo de experiência transcendente. Sinto que esta arte que culmina muitas vezes em um enlevo para quem é tocado por ela é apenas um fragmento do que é o indivíduo, o artista parece nos mostrar algo que já existe dentro de nós. Por que estou falando tudo isso? Apenas para que entendam um pouco o que representa um artista para mim e por que sinto estranheza ao pensar nos meus ídolos como pessoas comuns, com problemas iguais aos de todo mundo.

Existe um tipo de terapia para homossexuais, que muitos já devem ter ouvido falar, que é a terapia afirmativa. Vou descrever aqui o modo como enxergo este tipo de terapia, baseando-me nas minhas próprias experiências, mas acredito que é mais ou menos assim que os terapeutas a descrevem. Na terapia afirmativa a pessoa precisa identificar todos os pontos que podem estar ligados a não-aceitação da sua sexualidade e da sua vida afetiva para, assim, exorcizar toda a repressão e opressão que estejam ligadas à sua orientação sexual e para que possa aceitar-se, ou seja, afirmar-se. Estou falando sobre isso agora porque sentia que para os artistas esse tipo de coisa era desnecessária, eles não precisavam se auto-afirmar porque já sabem o que são e como foram moldados pela sociedade e o meio em que vivem. É claro que as coisas não são assim, artistas sentem medo, desejo e toda e qualquer espécie de sentimentos duais que acometem os seres. Todos sabemos que artistas são humanos, mas ninguém me explicou que a sensibilidade para a arte é a única coisa que os difere dos demais.

No mundo da música a proporção de artistas que são tratados como seres iluminados parece ser muito maior do que nas demais artes. Não entendo como alguém que é tratado como um deus por milhares de pessoas pode ter problemas quanto a sua orientação sexual/afetiva. Por que ficar com tanto medo de mostrar-se do jeito que é? Acho triste que meus ídolos da música que não são gays declarados, quando não são movidos por motivos de mercado, parecem esconder-se pelo simples fato de não conseguirem lidar com o modo como as pessoas encararão sua orientação. Dá para sentir em alguns casos quando o trabalho de um artista é fruto da opressão. Os artistas têm o direito de não comentar sobre sua orientação e não torná-la pública, mas sinto que quando um artista trata a própria homossexualidade com naturalidade e transmite isso ao público, contribui no processo de erradicação da homofobia. Alguns o fazem, isso não torna sua arte melhor, mas com certeza os transforma em seres humanos admiráveis.



Escrito por Binho às 22h52
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"Oh, do you believe in love there?"

 

Melhor notícia sobre música do ano (clique aqui para ler a notícia completa) : Brett Anderson e Bernard Butler, ex-integrantes do Suede, estão trabalhando juntos novamente. O Suede é uma banda que pude acompanhar desde o começo e apesar das diversas críticas negativas, principalmente por parte da acéfala crítica nacional, sempre tive verdadeira adoração pela música deles. Já rebolei muito ao som de The Drowners e Killing of a Flashboy, esta última na maravilhosa versão ao vivo que meu amigo Jeferson gravou para mim. E por falar nisso, vou pedir para o Jeferson tirar o pó das fitas de vídeo da banda para conferirmos mais uma vez a performance do Sr. Brett Anderson que sempre nos faz pular - quer dizer, eu rebolo e o Jef pula, porque hétero não rebola - sem tirar os olhos da tela.



Escrito por Binho às 19h54
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Os oportunistas

 

Acabei de ler a matéria da revista Veja, "País com parada gay não é homofóbico", que foi rechaçada por gays do País inteiro devido, acredito, ao título infeliz. Realmente, o título da matéria parece ser tendencioso, mas pode ser que tenha sido apenas um título ruim dado a uma matéria interessante. O Brasil, como qualquer outro país, é homofóbico, e por isso, acredito que um título como o dessa matéria não poderia ser dirigido a nenhum país. Existem países mais e países menos tolerantes a homossexualidade, mas dizer que existe país não homofóbico seria simplório ou um menosprezo aos homossexuais que não possuem liberdade quase nenhuma para viver como são. A matéria trata da questão de gays que pedem asilo na terra do dono do mundo. O maior problema parece ser o oportunismo de cidadãos gays brasileiros que não suportam viver aqui, na província, e querem tentar a vida em um país de primeiro mundo, repleto de oportunidades para suas mentes diminutas. Será que os EUA são um paraíso para os gays? Será que travestis, transexuais e afins não são discriminados lá? Se nós temos os Edsons Néris, eles não possuem os Matthew Sheppards?. Pode ser que um casal gay andando de mãos dadas em Nova York seja absolutamente normal, não sei, alguém aí poderia me dizer? Nunca perguntei isso para os amigos que moram no exterior, irei perguntar. Em São Paulo não dá, se eu andar de mãos dadas com meu namorado durante o dia nem faço idéia do que pode acontecer, uma vez nos xingaram e uma outra atiraram pedras apenas por estarmos na calçada conversando, distantes um do outro. O que estou querendo dizer é que viver sendo gay no Brasil não é fácil, mas será que justifica esses pedidos de asilo feito por pessoas que muitas vezes vivem em cidades grandes como Belo Horizonte ou Porto Alegre, onde as pessoas normalmente estão mais acostumadas com as "diferenças"?



Escrito por Binho às 00h38
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Momento de revolta

Esta imagem traduz como me sinto no momento.

 

Este post é apenas para falar de algo que todo mundo que vive em São Paulo já sabe, a violência está insuportável. Não sei o que ocorre. Miséria? Pode ser. Ando pelas ruas e avenidas próximas ao centro e o que mais vejo são policiais, aqui mesmo, na rua onde moro, às vezes há policiais nas duas esquinas, nos "cercando". Também quero deixar aqui um recado para minha irmã, recentemente vítima da violência. Katia, sei o quanto é difícil passar por isso, eu mesmo passei por algo semelhante há pouco tempo, mas não se deixe abater, existe algo dentro de nós que não nos deixa desistir facilmente. Você é uma pessoa forte e sempre foi um exemplo para os outros irmãos, mesmo sendo a mais nova. Sei que você já sabe disso, mas vou falar novamente, estou aqui e faço qualquer coisa por você. Um grande beijo e fique bem.



Escrito por Binho às 11h15
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