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A Mídia Gay


Um amigo conseguiu um emprego após meses de tentativas frustradas. Ficou muito feliz e foi em busca de todos os documentos necessários solicitados pela empresa. Um desses documentos era o Atestado de Antecedentes Criminais - o quê? Muitos devem estar se perguntando, mas é isso mesmo, algumas empresas possuem essa exigência. Chegou no local indicado, pegou a senha, sentou em um dos bancos repletos de cidadãos apáticos e com uma expressão de cansaço, tirou um livro da bolsa e o leu enquanto aguardava sua vez. Após uma hora de espera largou o livro e pensou no atestado exigido no novo emprego. Mesmo sem nunca ter sido fichado na polícia ficou com receio do que poderia encontrar pela frente, já havia sido parado algumas vezes, será que esse tipo de coisa não poderia causar problemas no futuro? Riu da bobagem que estava pensando e percebeu que tinha chegado sua vez. Apresentou-se no guichê que o chamava através de sua senha e entregou a papelada para a atenciosa mulher à sua frente. Informou seu endereço atual, telefone e aguardou. Depois de alguns minutos percebeu que a mulher do guichê fez uma expressão de espanto e pôde notar que seu olhar se dirigia ao atestado. Ela virou-se, pediu a assinatura de alguém que meu amigo não conseguiu ver e entregou o atestado. Meu amigo olhou o atestado e congelou. Não conseguia raciocinar, sentia frio e o suor corria-lhe pelo pescoço. Respirou fundo e caminhou em direção a saída. Ao ar livre parou e encostou em uma mureta, respirou fundo algumas vezes e olhou novamente o atestado. Em letras maiores do que qualquer outra impressa no atestado estava escrito a confirmação de seu delito: HOMOSSEXUAL. Ainda sem acreditar no que estava em suas mãos, pensou em como poderia entregar aquele documento no novo emprego sem ser dispensado. Decidiu que não iria retornar à empresa, rasgou o atestado em muitos pedaços e jogou-o na privada do banheiro de um boteco.

Esta história obviamente não é verdadeira, senti vontade de escrevê-la porque pensei no que se passa na mente dos homossexuais quando recebem uma proposta de emprego. É engraçado pensar nisso porque, para mim, ser homo ou hétero não deveria constar no "currículo" de ninguém. Mas todos sabemos que é algo que pesa quando o assunto é trabalho. E como ninguém informa a orientação sexual no currículo, os problemas, para os homossexuais, aparecem a partir do ingresso na empresa. É quando percebemos se poderemos ser nós mesmos desde o início ou não. Digo desde o início porque acredito que existem muitas pessoas que, como eu, por serem mais introvertidas esperam até conhecer melhor o ambiente novo em que está pisando para depois agir naturalmente nele. Não é covardia ou medo, é estar preparado para a reação das pessoas independente de qual seja. Para os ativistas de plantão ouvir a palavra "omitir" quando o assunto é a sexualidade parece ser um pecado mortal. Ninguém parece pensar no fato de que conseguir um emprego neste país é uma tarefa árdua e é difícil ser você mesmo em um ambiente de trabalho, correndo o risco de ser mandado embora e sem dinheiro para pagar as contas.                     

O grande problema em omitir a homossexualidade no trabalho é ter que conviver com as eternas piadas escrotas e ter que mascarar fatos da sua vida fora da empresa. Isso eu me recuso a fazer, não participo das piadas e se alguém me questionar sobre onde fui no fim de semana terá a resposta verdadeira. O ambiente de trabalho já é maçante e enfadonho demais para que tenhamos que suportar o preconceito dos colegas.



Escrito por Binho às 12h35
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