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Existem opostos que se atraem

"O grande par de opostos que determina o mundo como alma e a alma como mundo - o ser e o devir -  também se revela no amor. Ao lado dos indivíduos para
quem o amor é um estado, uma realidade persistente, dada de uma vez por
todas, há outros nos quais é um devir constante, uma evolução sem pausa, um
tornar-se outro, um ganho sempre novo; só ganha 'a liberdade como a vida'
aquele que deve conquistá-las cada dia; o mesmo se dá com o amor." (Georg Simmel)


Será que teríamos como escolher a pessoa que queremos ao nosso lado apenas em olhar para ela? É claro que não, responderia a maioria das pessoas. Também acredito que não. Acredito que quando procuramos alguém para amar altruísta e egoisticamente - para mim, esses dois sentimentos coexistem no amor - leva-se tempo para percebermos que amamos esta pessoa. A sociedade trouxe uma lei da física para o campo das relações entre seres do sexo oposto, mas todos nós sabemos que os opostos se atraem integralmente apenas na física. Ano passado pesquisadores da Universidade de Cornell, em Nova York, tentaram desmitificar esse ditado afirmando que as pessoas procuram no parceiro (a) características similares às suas, traços de personalidade parecidos. Acho interessante ver que as pessoas buscam referência em si mesmas no outro. É muito bom poder conversar com seu parceiro sobre algum assunto que interessa a ambos, mas não sei se gostaria de ter alguém introvertido ao meu lado quando detenho a mesma característica. Idealizar uma pessoa parece ser o meio mais difícil de estar acompanhado e a impressão que fica de quem segue por esse caminho é que esse ser fantasiado existe. A complementariedade que existe em uma relação em que um é introvertido e o outro extrovertido é o que torna esse tipo de relacionamento atraente para mim, por exemplo. Talvez por ter grande probabilidade de ser uma relação explosiva as pessoas freqüentemente evitam se relacionar quando o outro é totalmente diferente (sem abordar a questão moral, neste caso). Quando me disponho a me relacionar com as pessoas, ter amigos e cultivar essas amizades é que percebo o quanto meu namorado - que é extrovertido, tem muitos amigos, ou seja, oposto a mim - teve, e continua tendo, um papel importante na minha vida. Quando penso nisso sinto que deveríamos mudar o ditado para "os opostos deveriam se atrair" e também deixar de lado a conotação sexista do ditado.



Escrito por Binho às 00h54
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