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"Now my heart is full"
   
Now my heart is full Now my heart is full And I just can’t explain So ... slow ... Slow ... slow ... slow ... slow ... slow ... (Morrissey)
Até o dia 17 de maio fãs como eu não ficarão um dia sem pensar que nesta data chegará às lojas o novo álbum deste homem que já cheguei a pensar que fosse bruxo, tamanha histeria que causa. Desde 1997 sem lançar nada, Morrissey (é esse o homem) irá nos presentear com mais uma obra que espero ser tão maravilhosa quanto a última - Maladjusted. Não adianta fazer cara feia (viu, Beto!) e achar que adorar o Morrissey é démodé e/ou datado, ele é imune a comentários ácidos. Portanto, fãs do bardo inglês, vamos aguardar de maneira desesperada e sem culpa o lançamento do cd.
Escrito por Binho às 01h03
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Tenho 26 anos, sete sobrinhas e já sou tio-avô. Sou muito apegado a minha família e, consequentemente, às sobrinhas. Exceto com minha irmã do meio, nunca conversei abertamente sobre o fato de ser gay com eles. Poderia falar, mas quero esperar que se acostumem com a situação, já que eles sabem. Um dia desses ouvi a Lê (sobrinha de 8 anos) chamar um homem de bicha porque ele depila o peito, minha irmã, que estava junto, a repreendeu de maneira rápida e perturbada. Essa situação me fez voltar para casa, além de triste, pensativo. Pensei que se caso eu falasse abertamente com a família que sou gay, tenho um parceiro que amo e continuo sendo o mesmo filho caçula que sempre foi tratado como "filho" pelos irmãos, não passaria por situações como essa que aconteceu com a Lê. Sinto que se todos da família soubessem que não há problema algum em ser como sou, eles ensinariam às crianças que não é errado ou anormal ser homossexual, estenderiam o respeito e não correríamos o risco de termos, no futuro, adultos sofrendo de uma misantropia burra e sem sentido – é assim que considero o preconceito às vezes. Ontem conversando com a Fátima (irmã do meio) ao telefone, disse que sempre fui assim e, embora tenha tido muitas crises referente a minha sexualidade, sabia que mais tarde iria me relacionar com homens. Ela rebateu dizendo que criança não tem sexo, não enxerga a conotação sexual de uma palavra ou um ato e que o fato de ser hétero ou homossexual só vai se resolver na adolescência ou mais tarde. Falei que ela tem razão, mas quando eu era criança sempre tive "namoradinhos " que escolhia sem revelar nada para ninguém, nem para os escolhidos. Não me imaginava namorando com uma menina. O que eu gostaria de dizer na verdade é que as crianças deveriam conviver com a homossexualidade do mesmo modo como vivem com a heterossexualidade, como algo normal e que não depende de escolhas. Qual é o problema em dizer às minhas sobrinhas que tenho um relacionamento com um homem, que nos amamos, nos respeitamos e vivemos normalmente como qualquer outro casal? Todas se tornariam lésbicas? O que pode haver de errado em uma demonstração de carinho entre dois homens ou duas mulheres diante de crianças? As crianças são bombardeadas pela mídia com imagens de violência em estado bruto e existem pessoas que acham inadequado elas presenciarem um ato carinhoso entre homossexuais. Por que temos sempre que associar a homossexualidade apenas como sexo? Estaria fazendo mal às minhas sobrinhas se pegasse na mão ou desse um simples beijo no meu namorado na frente delas? Há na mídia, disponível para todos, imagens de héteros transando. Sei que todos fomos condicionados ao relacionamento heterossexual e imagino o quanto deve ser complicado para um hétero lidar com a homossexualidade de maneira totalmente natural, sou gay e ao constatar isso inicialmente tive muitos problemas. Penso também o quanto é complicado para os pais imaginar que seu filho é homossexual, a grande maioria não quer que o filho sofra por causa do preconceito, mas falar sobre homossexualidade com o filho não irá transformá-lo em homossexual.
É o que quero dizer aos pais e futuros pais que leram o que escrevi e se preocupam em como suas crianças tratarão os que são diferentes ou iguais a eles.
Escrito por Binho às 23h03
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